Pergunto-me o que fiz exactamente de errado. Tive as oportunidades inevitáveis. Que aproveitei. Algumas melhor, algumas pior; é verdade.
Talvez o problema esteja nas que aproveitei mal. Existe uma listinha de opções que poderia ter tomado e... quem sabe? Poderiam ter garantido algo melhor. Talvez.
Nunca vou saber, mas tenho a sensação que vou ser para sempre atormentada por essas vidas alternativas.
Não tenho um futuro palpável. E por muito que queira culpar uma data de entidades externas por tudo (tudinho), eu sei que tenho a minha fatia de responsabilidade.
Mas ao mesmo tempo pergunto-me o que fizeram as outras pessoas que eu não fiz? Quais são as capacidades que me faltam? As iniciativas que deveria ter tomado?
Não tenho respostas. Não tenho mesmo.
Costumava considerar-me esperta. Em alguma medida, penso que sou. Mas parece que não é isso que me salva de ser um falhanço total.
Começo a duvidar que exista alguma recompensa para o meu esforço. Começo a duvidar que as coisas mudem. Já existe um fosso intransponível entre eu e o resto do mundo. Ou pelo menos, entre mim e os meus semelhantes.
Para onde é que eu me viro agora?